Beato Amadeu: nova apocalipse (vol. XIV)

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REF: 200003436 Categoria:

Descrição

Constitui propósito primeiro deste trabalho dar a conhecer a obra do BeatoAmadeu.

As conclusões são poucas, mas, do meu ponto de vista, as suficientes paragarantirem que Amadeu, ou seja, João da Silva Meneses, não era ignorante.Como foi possível esquecerem-se os que assim o julgam em Portugal de que foieducado na considerada uma das cortes mais cultas da Europa de então? Mesmoo Prof. Sousa Costa, ilustre franciscano, que tão longe levou o estudo históricosobre Amadeu e a sua família? O parágrafo sobre a história da “deturpação” daobra afigura-se-me elucidativo. Devo dizer que o Prof. Sousa Costa reconhecianunca haver lido Apocalypsis Noua, porque a sua linha de acção seguia por outrocaminho. Culto e profundo eram os qualificativos que eu lhe reconhecia quandoos vi confirmados pelo dominicano que em meados do séc. XVI escreveu o textoque consta do apêndice do códice G e que se anexa no final.

Poderão ter razão os que afirmam que a obra foi adulterada? Como justificariamentão a confluência de elementos como seja a concordância de todos osmanuscritos, a rede de relações internas e o modo como o apêndice do manuscritoM nos fala dos cuidados com que a obra era guardada até haver sido dada aconhecer? Como seria possível que num ambiente de tanta exigência se adulterasseuma obra que teve tanto impacte sem haver qualquer rasto dessa aventura ouqualquer eco crítico? Considero que ficou suficientemente mostrado que, comeventuais pequenos acrescentos marginais, a obra tem unidade e coerência, quedificilmente manteria se houvesse sido interpolada.

Que o Beato Amadeu era homem culto, estudioso e profundo e que é o autorda obra que sempre levou o seu nome, foi a conclusão a que cheguei e queapresento. Outras pequenas conclusões, como o lugar do seu nascimento, o haverou não sido educado na corte, o seu tempo de permanência em Guadalupe, sãopormenores históricos que estão já afirmados e me limitei a coligir.

Os seus objectivos ao escrever Apocalypsis Noua julgo haverem ficado claros nafinalidade primeira reconhecida à obra, a reforma da Igreja. Era este acompanhadopor outro não menos importante, que era a união das duas Igrejas, a ocidental ea oriental. Clara me parece haver ficado também a mentalidade que enformava osentir de Amadeu no sonho de um futuro que começaria com o advento do Pastor.Qual fosse a duração desse milénio não se procurou especificamente saber, masficou suficientemente afirmado que coincidiria com o estabelecimento do reinode Cristo na Terra.

Ponto importante no estudo do homem e da obra era reconhecer as influênciasque o marcaram. Com o preciosíssimo auxílio das notas do manuscrito N, notasque me parece poder-se afirmar serem de S. Roberto Belarmino, pois foi ele, nodizer de Barbosa Machado, que encontrou na obra de Amadeu os tais cinquentae sete desvios, conseguiu-se compor um painel de nomes de teólogos e filósofosque ocupam todo o espectro da filosofia e da teologia da Igreja. Da análise daobra resultam ainda referências clássicas que, se não foram todas directamentebebidas nas fontes, algumas o terão sido, pois havia na corte condições objectivaspara isso. Ponto importante se considera a avassaladora presença dos Apócrifos.

Serviam um dos objectivos deste autor, falar dos dogmas, que o seriam só maistarde, da Imaculada Conceição e da Assunção, dado ser claro que, juntamentecom a reforma da Igreja, faziam eles parte do objectivo primeiro de Amadeu.Maria ocupa lugar importante em Apocalypsis.

Aqui chegado, brota espontânea no meu espírito a prece tantas vezes escutada:Que Deus lhe ponha a virtude, que eu da minha parte fiz o que pude.

Informação adicional

Dimensões (C x L x A) 240 × 170 mm
Autor

, ,

Data

,

Edição

1.ª Edição

Série

DOI

10.14195/978-989-26-0715-3

eISBN

978-989-26-0715-3

ISBN

978-989-0555-1

Páginas

638